Diferente de uma transação comum de Bitcoin, onde o valor movimentado fica gravado em texto simples e visível para qualquer pessoa consultando a blockchain, uma Transação Confidencial na Liquid Network grava, no lugar do valor, um compromisso criptográfico (compromisso de Pedersen, ou Pedersen commitment) que oculta o número real. Esse compromisso preserva a propriedade de homomorfia, que permite somar e subtrair valores ocultos e confirmar que a conta fecha, sem revelar os números originais.
- O valor movimentado fica visível apenas para quem participa da transação (remetente e destinatário), que trocam entre si um dado chamado blinding factor para decodificar o valor real.
- Provas de alcance (range proofs) garantem, sem revelar o valor, que cada quantia está dentro de um intervalo positivo e válido — impedindo que alguém use um valor negativo para criar moeda do nada.
- Na Liquid Network, o tipo de ativo transacionado também pode ficar oculto, já que a rede é multiativos (L-BTC, DePix, USDt-Liquid e outros ativos emitidos convivem na mesma sidechain).
A técnica foi proposta originalmente por Adam Back e detalhada por Greg Maxwell, ambos ligados à Blockstream, e hoje é parte central do design da Liquid Network. É importante notar que Transações Confidenciais resolvem um problema específico — a privacidade de valores e ativos no nível da transação — e não alteram o modelo de confiança federado da Liquid Network, que depende da federação para os processos de peg-in e peg-out.